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Estimulação Magnética em distúrbios de assoalho pélvico

Uma epidemia silenciosa

Muitas mulheres sofrem com escapes de urina intensos e recorrentes desencadeados mesmo por pequenos esforços.

Como a condição tipicamente se instala de maneira insidosa, ao longo de décadas, o mais comum é que se acomodem usando absorventes ou aumentando as visitas ao banheiro para manter a bexiga sempre vazia, sem tomar ciência de opções de tratamento médico que poderiam melhorar sua qualidade de vida e protegê-las de constrangimentos.

Números da epidemia: Em estudo de 2012 que avaliou mais de 3000 mulheres acima dos 40 anos, 41% apresentavam episódios de incontinência urinária a esforço e em 72% dessas a intensidade e recorrência dos episódios era moderada a severa, mas apenas 25% buscaram cuidados médicos.
A prevalência de ao menos 1 distúrbio de assoalho pélvico (incontinência urinária, fecal ou prolapso) aumenta em função de idade, número de partos e obesidade

Minassian VA, Yan X, Stewart WF et al. The iceberg of health care utilization in women with urinary incontinence. Int Urogynecol J. 2012 Aug;23(8):1087-93.
Nygaard I, Brody DJ et al. Pelvic Floor Disorders Network. Prevalence of symptomatic pelvic floor disorders in US women. JAMA. 2008 Sep 17.

Os tratamentos com mais sucesso envolvem uma combinação de medidas

A incontinência geralmente é fruto de deterioração na função tanto de tecidos musculares como conectivos e, em alguns casos, também da inervação do assoalho pélvico.

Mesmo procedimentos cirúrgicos, com técnicas de ancoramento de uretra, modificação de sua angulação, implante de malha de polipropileno ou injeção de agente que produz volume no trajeto(como ácido hialurônico), tem taxas de sucesso variável, desde apenas 24.8% (injeção de agente de volume ) até ao redor de 82.3% (cirurgias como a TVT ), e mesmo o sucesso do tratamento cirúrgico em parte pode ser fruto da combinação do tratamento cirúrgico com outra abordagem.

Complete resolution of SUI may not be feasible, and a combination of behavioral, pharmacological, and surgical treatment may be necessary

Tratamento cirúrgico
Via abdominal: Marshall Marchetti Krantz ou Burch (John Christopher Burch).
Via vaginal: Pereyra modificada (Armand Joseph Pereyra), TVT e TVT-O.

Tratamento não-cirúrgico
Exercícios de fortalecimento de assoalho pélvico: exercícios de Kegel, exercícios supervisionados por especialista em reabilitação ou exercícios guiados por biofeedback.
Estratégias comportamentais, uso de pessários vaginais.
Medicações anticolinérgicas (como oxibutinina) ou com efeitos alfaadrenérgicos (tricíclicos).

Neuromodulação elétrica: aplicação por agulhas semelhantes às de acupuntura em assoalho pélvico.

Neuromodulação magnética: aplicação por bobina circular refrigerada, através da roupa.

Riemsma R, Milsom I et al. Can incontinence be cured? A systematic review of cure rates. BMC Med. 2017 Mar 24;15(1):63.
Lugo T, Riggs J. Stress Incontinence. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan.

Neuromodulação magnética de assoalho pélvico é aprovada pelo FDA desde 1998

Em 1998, o FDA concedeu a primeira aprovação a um dispositivo de estimulação magnética para reabilitação de assoalho pélvico e considerou também o método como primeira escolha, quando comparado à estimulação elétrica.

A aprovação foi baseada em estudo onde pacientes foram tratados tanto de forma invasiva (com estimulação elétrica aplicada por meio de agulhas na musculatura pélvica) como de forma não-invasiva (com estimulação de assoalho pélvico por pulsos magnéticos aplicados através da roupa).

Além do maior conforto e aceitação dos pacientes, com estimulação magnética se obteve contração maior de esfíncter uretral.

Aprovação FDA 1998: Neotonus Model 100.
Sun K, Cui Y et al. Efficacy of magnetic stimulation for female stress urinary incontinence: a meta-analysis. Ther Adv Urol. 2021 Jul.
Lim R, Yuen KH et al. Pulsed Magnetic Stimulation for Stress Urinary Incontinence: 1-Year Followup Results. J Urol. 2017 May.

Parâmetros de tratamento mais eficazes
Em meta-análise publicada em 2021, que avaliou 6 diferentes estudos placebo controlados, o sucesso da estimulação magnética no tratamento da incontinência urinária de esforço variou ao redor de 50 a 70%, com maior eficácia entre os tratados com frequências de 20 a 50Hz e menor eficácia entre os tratados na faixa de 5 a 15Hz.

No maior desses estudos (Lim 2017), que acompanhou 120 pacientes ao longo de 1 ano, no grupo tratado com 2 sessões semanais por 2 meses, melhora na incontinência se manteve em 72% após 1 ano de acompanhamento (versus 21% para o grupo placebo, p<0.001).

Parâmetros de tratamento de Lim 2017. 2 sessões de 20 minutos por semana por 2 meses, na intensidade máxima tolerada pelo paciente, com bobina circular refrigerada sobre o assoalho pélvico.


Responsável pelo resumo: Edrin Vicente, Neurologia e Neurofisiologia intra-operatória, CRM SP 78867 (edrin@kandel.com.br)

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